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Eu quero ser um pop star.
Na verdade eu não sei se aquilo é um devaneio do velho ou sou eu que não presto atenção nas coisas certas. Ele me disse que era muito bom na sua juventude, e também que ele era bom em ser jovem, fazia um monte de coisas, viajava pelo mundo, comia quem quisesse. Disse-me que a vida boa começa no paladar, nos sabores que se sentem na boca, eu, meio alucinado com aquilo tudo, não entendi muito bem.
A casa é velha e cinza, a mais velha da rua, um tom cinza escuro, bem escuro, um escuro encardido, era antiga, na frente uma escada que dava acesso a porta que era de madeira com ornamento de ferro onde se tinha uma pequena janela, o jardim em frente era capim e um pouco de plantas com flores vagabundas, aquilo era um jardim, havia mato, mato para digestão dos gatos.
Ele foi um bon vivant, não cansava de ressaltar isto, ainda possuia uma coleção antiga de relógios rolex enferrujados e alguns litros de conhaque com os rótulos amarelados. Vivia disso. Demonstrava estar de saco cheio da vida, demonstrava também que qualquer tentativa de sucumbir era tolice.
Procurei pra ver se achava alguns discos, não vi nada, achei um toca disco antigo.
Interessante, dentre uma conversa e outra eu senti uma coisa, eu senti que a filosofia do velho era que, pouco importa as coisas e todos se você não pode viver vida completamente e saborea-la, afinal, precisamos de prazer, e para encontra-lo, temos que estar bem e disposto, poxa, isto era estranho, todo aquele lugar me levou a chegar a esta conclusão, e isto ficou na minha cabeça por muito tempo e eu demorei a esquecer, as vezes, eu lembrava disso sem querer.
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Texto retirado do livro “ Eu quero ser um pop star” de Igor Campero.
20080202
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